quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Confira o que saiu sobre a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia - Uberlândia na mídia:
 
No início de 2000, o índice de sobrevida de pacientes com leucemia promielocítica aguda (LPA) no Brasil era de 50% contra os mais de 80% registrados nos Estados Unidos e em países europeus.

A maior incidência da doença em países latino-americanos não justificava a discrepância nas estatísticas: a LPA responde bem ao ácido all-trans retinoico (ATRA), medicação que é distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A explicação para a defasagem nos resultados estava no diagnóstico tardio e no consequente atraso no início do tratamento de uma doença que induz a um grave quadro hemorrágico, elevando o número de óbitos.

Associando pesquisa básica e clínica, pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) mantido pela FAPESP e sediado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, propuseram um novo modelo de diagnóstico, adotado por um consórcio de oito hospitais públicos em cinco estados.

“Em nove anos, a mortalidade caiu pela metade e a sobrevida dos pacientes chegou a 70%”, comemora o pesquisador Eduardo Magalhães Rego. O resultado do trabalho foi capa da revista Blood, em 14 de março de 2013. O protocolo tornou-se padrão em outros países da América Latina: agora, o consórcio também reúne hospitais do Chile, do Uruguai e do México e, nos próximos meses, incluirá o Paraguai e o Peru.

O novo diagnóstico da LPA traduz uma das missões primordiais do Centro de Terapia Celular e do Programa CEPID, criado pela FAPESP em 2000: desenvolver pesquisa de excelência, comprometida com a aplicação de resultados.

A partir de hoje, a Agência FAPESP dá início à publicação de uma série de reportagens especiais sobre os CEPIDs apoiados pela Fundação entre 2001 e 2013 e lança um site especialmente para o programa, que pode ser acessado em: cepid.fapesp.br.

“O CTC criou um ambiente fértil para o desenvolvimento de metodologias relacionadas à pesquisa com câncer, células-tronco, biotecnologia e biologia molecular”, avalia Marco Antonio Zago, coordenador do Centro e pró-reitor de Pesquisa da USP. “Fazemos pesquisa básica e temos clínica de tratamento de pacientes, laboratórios no Hemocentro e no Hospital das Clínicas, além de uma unidade de transplante de medula óssea.”

A formulação do novo teste diagnóstico da LPA fez o percurso da bancada à clínica. “A LPA resulta da quebra de dois cromossomos que trocam pedaços entre si, formando um gene de fusão. O desafio era entender como esse gene causa a leucemia”, explica Magalhães Rego.

Utilizando modelos transgênicos, os pesquisadores reproduziram a doença em camundongos e constataram que algumas proteínas, que deveriam atuar como supressoras, não funcionavam. Uma delas, a PML, “aprisionada” em estrutura bem definida em indivíduos sadios, entre doentes apresenta-se dispersa, sem função de regulação do organismo e em interação com outro grupo de proteínas.

A dispersão da PML foi a chave para o teste diagnóstico, realizado por meio de exame de medula óssea em reação a anticorpos “doados por um pesquisador italiano”, como Magalhães Rego diz. “Trata-se de um exame laboratorial de imunofluorescência, disponível em hospitais de porte médio, e que fica pronto em seis horas”, descreve.

O próximo passo será testar o efeito do transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH), extraídas da medula óssea, no tratamento de infecções oportunistas em portadores de leucemias mieloides agudas.

Diferenciação celular
O TCTH é uma terapia desenvolvida pelo CTC desde o início do ano 2000. “Na época, ainda não se falava em células-tronco. Só usávamos transplante de medula”, lembra Zago. “Tínhamos três fontes, células da medula, do sangue e da placenta, com respostas diferentes no tratamento celular.”

A diferenciação celular e a resposta clínica passaram a ser foco de estudos da equipe. Em 2004, quando uma pesquisa sueca sugeriu que as células-tronco reduziam a resposta imunológica dos organismos porque alteravam o linfócito T, a equipe resolver avaliar o seu uso no tratamento do diabetes, doença autoimune em que o sistema imunológico ataca as células produtoras de insulina do pâncreas.

A hipótese era a de que, se o ataque fosse interrompido e as células restantes preservadas, seria possível, por meio de TCTH, recuperar o pâncreas, reduzir a dependência de insulina e evitar complicações típicas da doença, como a retinopatia, nefropatias e neuropatias.

Do primeiro protocolo experimental participaram 25 pacientes diagnosticados com diabetes tipo 1. Eles tiveram as células-tronco hematopoiéticas de sua medula óssea coletadas e congeladas antes de se submeterem a uma quimioterapia para zerar o sistema imunológico e interromper a agressão ao pâncreas.

As células-tronco congeladas foram, em seguida, transfundidas, produzindo uma nova medula e novas células sanguíneas. Dos 25 pacientes, três estão livres de insulina e 22 voltaram a utilizar a insulina depois de um determinado período, ainda que em dose inferior à utilizada antes do tratamento.

Um novo protocolo de TCTH foi iniciado em 2009, com outros quatro pacientes com diabetes tipo 1 diagnosticados há menos de cinco meses. A pesquisa tem parceria da Northwestern University, de Chicago, e da Universidade Paris Diderot. “Estamos entusiasmados com os resultados”, adianta a pesquisadora Maria Carolina de Oliveira Rodrigues.

Antes disso, em 2008, em outro protocolo experimental, os pesquisadores tentaram modular o sistema imunológico de pacientes diabéticos por meio de aplicações de células mesenquimais, extraídas da medula de um parente.

“A hipótese era a de que células mesenquimais seriam capazes de migrar e de se diferenciar em células do pâncreas produtoras de insulina”, explicou a pesquisadora Oliveira Rodrigues em uma reportagem da Agência FAPESP. A resposta, no caso, não foi animadora e uma nova pesquisa poderá ser realizada.

Um protocolo para o SUS
Protocolo semelhante ao do diabetes tipo 1 tem se mostrado promissor também no tratamento da esclerose múltipla, doença que agride o sistema nervoso central e compromete progressivamente a capacidade neurológica (leia mais em agencia.fapesp.br/10090). Desde 2002, 100 pacientes foram submetidos à quimioterapia e injeção endovenosa de células-tronco hematopoiéticas para interromper o avanço da doença, relata Oliveira Rodrigues.

Ao longo dos últimos 11 anos – período que correspondeu ao financiamento da FAPESP ao CTC –, a administração do quimioterápico foi sendo calibrada à resposta dos pacientes. “Uma terapia muito tóxica foi substituída por outra, mais adequada. Também aprendemos que o transplante não funciona quando a doença está em estágio muito avançado.” O protocolo atual está sendo avaliado junto com a Universidade de Northwestern, e os resultados comparados com os das melhores drogas.

O CTC tem conseguido ótimos resultados também no tratamento da esclerose sistêmica, que afeta progressivamente as células do tecido conjuntivo, causando alterações vasculares e fibrose da pele. O tratamento convencional, com ciclosfosfamida, evita a progressão da doença, mas, em pelo menos um terço dos casos, o TCTH antecedido por quimioterapia é o procedimento recomendado.

Em 48 pacientes, o transplante interrompeu a agressão, revertendo o quadro de degeneração cutânea associado e estabilizando o paciente. “Esse protocolo está em vias de ser adotado pelo SUS”, revela Oliveira Rodrigues.

Os riscos têm de ser ponderados. Em fevereiro de 2013, em parceria com pesquisadores da Northwestern, a equipe do CTC publicou na Lancet um artigo recomendando uma avaliação cardíaca minuciosa para melhor avaliar a oportunidade do transplante, em decorrência, entre outros fatores, do coquetel quimioterápico (leia mais em agencia.fapesp.br/16803). “Iniciaremos um segundo estudo para comparar três esquemas de quimioterapia e avaliar o melhor.”

A excelência e os bons resultados alcançados pela pesquisa devem ser creditados à equipe qualificada, aos parceiros internacionais de peso, como as universidades de Montreal, Guelph, Munchen, King's College, Leiden, entre outras, e, principalmente, ao financiamento de grande porte e de longo prazo.

“A equipe tem competitividade. Nesse período, além do apoio da FAPESP, contamos também com recursos de outras agências de fomento como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica (CNPq). Isso sem falar do orçamento da própria universidade. O resultado é que os recursos repassados pela FAPESP foram multiplicados por dois”, afirma Zago.

A qualidade dos estudos credenciou o CTC para integrar, desde 2008, a rede de pesquisas formada pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), por meio da qual desenvolve 30 projetos nas áreas de células-tronco e terapia celular, em parceria com universidades paulistas, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Centro Nacional de Primatas, no Pará. Os projetos são financiados, meio a meio, pelo CNPq e pela FAPESP (leia mais em http://lgmb.fmrp.usp.br/inctc).

Em 2013, o CTC teve aprovada uma nova proposta de trabalho, por meio do segundo edital do Programa CEPID. Até 2014, o Centro implementará um ambicioso programa multidisciplinar, com foco no estudo das características moleculares, celulares e biológicas de células normais e patológicas e na avaliação crítica de seu potencial terapêutico. Os objetivos são gerar linhagens brasileiras a serem utilizadas em estudos pré-clínicos e investigar os mecanismos envolvidos no estado de pluripotência, assim como em doenças como disceratose congênita, anemia da Faconi, hemofilia A e doença de Parkinson.

Todos os estudos visam à produção em grande escala de células-tronco, de forma a permitir sua utilização clínica potencial. Nesse período, também seguirão em curso um projeto de transferência de tecnologia com foco na melhoria da saúde pública e um programa de educação em Ciência.

Fonte: Agência Fapesp.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Protocolo permite diminuir possível desequilíbrio na determinação da intensidade das cargas

Os testes de desempenho aeróbio – relacionado à resistência – auxiliam e orientam a prescrição de intensidades de corrida recomendadas para treinamento e competição de atletas fundistas de alto rendimento, caso dos participantes de olimpíadas e competições internacionais. A literatura mostra que para a melhora do desempenho aeróbio é necessário conhecer parâmetros fisiológicos de carga que além de confiáveis sejam de fácil aplicação nos treinamentos. Eles são fundamentais inclusive para a predição das velocidades durante as competições, uma vez que seus planejamentos estratégicos podem determinar o vencedor ou a quebra de um recorde. Os parâmetros fisiológicos de carga associados a outras variáveis, quando alicerçados em bases científicas, reduzem de forma significativa possíveis erros na determinação das intensidades nos treinamentos e na adoção de estratégias nas competições.

Um dos parâmetros frequentemente utilizado é o limiar anaeróbio (LAn), que indica a transição dos metabolismos aeróbio-anaeróbio e que se revela bastante prático. Ocorre que a maior parte dos protocolos utilizados para a sua determinação são trabalhosos, invasivos, tomam muitos dias de treinamento dos atletas e envolvem análises caras. Para um país como o Brasil, que conta com parcos recursos, particularmente para o atletismo, seria desejável desenvolver um protocolo que utilizasse uma ferramenta barata, de fácil aplicação e reprodução e que pudesse ser validada por um teste considerado de padrão ouro. É o caso do teste de Máxima Fase Estável de Lactato (MFEL), referência gold standard, o qual determina o limiar anaeróbio e que permite estabelecer cargas adequadas para treinamento aeróbio e anaeróbio, mas invasivo, caro e demorado.

À procura de superar estas dificuldades se propôs Ricardo Antonio D’Angelo, ex-atleta dos 400 m com barreiras que, depois de graduado em educação física, passou a atuar como treinador especializado em corridas de fundo (acima de 3.000 m). Só aos 45 anos, quando já havia acumulado grande experiência prática e bons resultados como treinador de atletas de nível internacional, decidiu pelo mestrado e doutorado, completados nos últimos sete anos. O objetivo: aperfeiçoar-se na área. “Eu sentia necessidade de aprofundar os conhecimentos em corrida de fundo com o intuito de melhorar meu trabalho, o da minha equipe e os resultados dos meus atletas”, diz ele.

Com essas perspectivas, ele desenvolveu no doutorado, orientado pelo professor Miguel de Arruda, da Faculdade de Educação Física (FEF) da Unicamp, o teste de Velocidade Crítica (Vcrit), validado pelo teste de Máxima Fase Estável de Lactato (MFEL), que permite a avaliação e controle da forma física do atleta a partir de procedimentos simples, não invasivos, confiáveis e de fácil aplicação. Esse protocolo, desenvolvido ao longo de um ciclo olímpico, quatro anos, entre as Olimpíadas de 2008 (Pequim) e 2012 (Londres), foi responsável pela organização das cargas de trabalho de seis atletas fundistas de alto rendimento. O grupo apresentou melhora de desempenho, com destaque para dois atletas: Franck Caldeira de Almeida, 13º colocado na Maratona dos Jogos Olímpicos de Londres, 2012, e Joilson Bernardo da Silva, medalha de bronze na prova dos 5.000 m do Pan Americano de Guadalajara, 2011.

Moveu-o também ao estudo a constatação de que, embora a comunidade de treinadores de corrida cresça em ritmo elevado atualmente no Brasil, os recursos didático-metodológicos desses profissionais não se encontram totalmente apoiados na ciência do esporte. Diante disso, ele acredita que as informações e conclusões da pesquisa possam contribuir sensivelmente para a melhora da qualidade de trabalho desses treinadores e em consequência para o melhor desempenho de atletas brasileiros em nível nacional e internacional.

O fazer Em síntese, Ricardo D’Angelo desenvolveu um método de determinação do limiar anaeróbico, o LAn, com protocolo não invasivo, o Vcrit, e o correlacionou ao Máxima Fase Estável de Lactato, o MFEL, e a outros importantes parâmetros de desempenho, que permite diminuir o possível desequilíbrio na determinação da intensidade das cargas e possibilitar ao treinador a realização de avaliações mais frequentes e simplificadas do estado de forma física de seus atletas. “A partir dessas informações, variáveis sensíveis de ajustes de intensidade passam a ser facilmente identificadas e as intervenções propostas nos métodos e meios de treinamento do atleta tornam-se altamente eficazes”, diz ele.

O autor destaca a escassez de trabalhos na literatura, mesmo em escala mundial, envolvendo atletas profissionais de alto rendimento que tenham integrado delegações em competições internacionais. Cerca de 90% desses trabalhos envolvem idosos, militares e outras populações, porque em geral os atletas de alto rendimento não se submetem a esse tipo de avaliação. Como treinador ele tinha à mão um grupo de seis atletas de alto rendimento que o acompanhava há vários anos.

Estas circunstâncias o levaram a procurar uma ferramenta barata, de aplicação simples, facilmente reproduzida e passível de ser validada por um teste padrão ouro. Para tanto estabeleceu um protocolo em que os atletas corriam três ou quatro distâncias, que lhe forneceram dados para a obtenção de uma reta de regressão através de um modelo matemático simples. Esses resultados, comparados com os obtidos através de um teste padrão ouro, permitiram estabelecer uma correlação entre os valores obtidos nos dois processos, com a utilização de uma equação simples. “Posso afirmar hoje que esse protocolo permite estimar o limiar anaeróbio desses atletas, através de um índice fisiológico, com um alto grau de confiabilidade através de um procedimento simples e com resultados fidedignos”.

Ele confessa que foi motivado pela necessidade. Em países com recursos, os centros de treinamento para atletas de alto rendimento dispõem de um laboratório junto à pista. Ele não conta com essa facilidade e recorre a um laboratório toda vez que precisa de análises, mesmo reconhecendo que trabalha com a equipe de atletismo com mais recursos no Brasil. O trabalho se propôs a oferecer para a comunidade de treinadores um parâmetro confiável de aplicação de carga baseado em estudos científicos, através de testes simples, que não exijam recursos. Ricardo D’Angelo resume: “Os testes de laboratório dizem o que é necessário para chegar a um alto rendimento e a metodologia que desenvolvemos permite obter dados que revelam em que estágio o atleta está e onde deve chegar para obter alto desempenho. Chegamos a esses resultados de forma simples e objetiva”.

Situação no Brasil
Segundo o pesquisador, uma questão colocada hoje na área de educação física é a de que a aplicação dos recursos da ciência do desporto está um pouco divorciada da sua prática, mesmo em países avançados. O problema é agravado pelo fato do reduzido número de atletas de alto rendimento se submeter aos testes exigidos nessas pesquisas. Em decorrência, os resultados obtidos com outros públicos são transpostos para os atletas de alto nível, comprometendo a fidelidade. O estudo baseado em atletas de alto rendimento é o que diferencia o trabalho de Ricardo.

Teriam os treinadores brasileiros condições de implementar a metodologia proposta? Ricardo considera que a competência dos profissionais de atletismo no Brasil equivale aos de centros mais desenvolvidos. Credita isso à agilidade dos meios de comunicação, destacando a internet, e ao fato de os profissionais procurarem aperfeiçoamento e atualização frequentando cursos, como os organizados por confederações e federações nacionais e internacionais de atletismo, e participando de palestras e de encontros com treinadores estrangeiros.

Segundo ele, o perfil característico do treinador de atletismo no Brasil é o do ex-atleta, que vivenciou intensamente a prática do esporte, que passou a dedicar-se à formação de novas gerações e que procura evoluir através do conhecimento. Foi seu caso. No campo do atletismo, ele acredita que o país tem treinadores entre os melhores do mundo, mas que se ressentem da falta de recursos materiais e humanos. Como exemplos cita a pequena oferta de pistas sintéticas, essenciais para desenvolver trabalhos em quaisquer esportes e, no caso do atletismo, a carência de atletas.

Atribui a carência de recursos humanos às características da cultura nacional: “No Brasil temos a cultura do futebol, não do esporte, diferentemente do que ocorre nos EUA, por exemplo, em que a cultura esportiva é desenvolvida desde a escola, quando a criança entra em contato com as várias modalidades do esporte, o que torna muito mais fácil o surgimento de atletas de alto nível. Todos os países que se tornaram potencias mundiais no esporte o têm como instrumento de educação. Tudo começa na escola”. Em vista disso, Ricardo D’Angelo não acredita na melhora significativa dos desempenhos do atletismo brasileiro nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Em decorrência da proliferação, na última década, da corrida de rua no Brasil, ele preocupou-se, ao desenvolver o estudo, com a possibilidade de seus resultados serem encampados por preparadores desses atletas amadores. Grande parte desses orientadores não é especialista em corridas de fundo, pois ou são professores de educação física ou ex-corredores em geral sem nenhuma graduação, que conhecem a prática e conseguem trabalhar porque a demanda é muito alta e não por apresentaram uma formação adequada.

Publicação
Tese: “Testes de desempenho aeróbio relacionados a intensidades de corrida em treinamento e competição para fundistas de alto rendimento”
Autor: Ricardo Antonio D’Angelo
Orientador: Miguel de Arruda
Unidade: Faculdade de Educação Física (FEF)

Fonte: Jornal da Unicamp.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mais da metade de todas as espécies animais conhecidas são insetos. Mas como espécies com um sistema imune tão pouco desenvolvido – principalmente se comparado aos mamíferos – evoluíram ao longo de 350 milhões de anos e sobrevivem hoje nos mais diversos ambientes do planeta, até nos mais hostis?

Estudos indicam que o segredo está em substâncias presentes na hemolinfa, o fluido que exerce a função de sangue nos insetos. Trata-se, no geral, de substâncias que, nesses animais, têm a capacidade de combater vírus, bactérias e fungos. Tem, portanto, potencial para reduzir a ação dos microrganismos em humanos. Conhecer essas substâncias e seu mecanismo de ação é um grande passo para o desenvolvimento de medicamentos.

Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, têm identificado substâncias promissoras em lagartas. “Há muito se produz substâncias antivirais originárias de organismos e produtos animais ou vegetais, como ouriço-do-mar e própolis. Mas pouco se investiga em insetos, e menos ainda em lagartas”, disse à Agência FAPESP o virologista Ronaldo Zucatelli Mendonça, responsável pela pesquisa “Bioprospecção de proteínas de interesse farmacológico e biotecnológico na hemolinfa de lagartas da família Megalopygidae", que conta com apoio da FAPESP.

A equipe de Mendonça encontrou substâncias de alta potência antiviral em lagartas da família Megalopygidae. “Ainda não sabemos exatamente a composição química dessa substância”, disse. “No entanto, ela já demonstrou ter ação inequívoca: tornou 2 mil vezes menor a replicação do picornavírus (parente do vírus da poliomielite) e 750 vezes menor a do vírus do sarampo, além de ter neutralizado o vírus da influenza H1N1.”

Segundo o coordenador da pesquisa, esses dados são preliminares. “Até a conclusão do trabalho, podemos chegar a uma redução ainda maior”, disse.

O estudo com a Megalopygidae dá sequência a uma pesquisa anterior, na qual a equipe isolou e purificou uma proteína em outra lagarta, da família Saturniidae, a Lonomia obliqua.

A proteína encontrada na Lonomia tornou a replicação do vírus da herpes 1 milhão de vezes menor e a replicação do vírus da rubéola, 10 mil vezes menor. O trabalho foi publicado na revista Antiviral Research, em 2012.

As duas pesquisas, sobre a Lonomia e sobre as lagartas da família Megalopygidae, têm foco em substâncias que apresentam duas propriedades específicas: ação apoptótica e antiviral. A primeira promove a apoptose (morte celular programada ou desencadeada para eliminar de forma rápida células desnecessárias ou danificadas), um processo importante no mecanismo para controle do câncer. O foco atual da pesquisa com as lagartas Megalopygidae é sua ação antiviral.

As proteínas em estudo são produzidas pela tecnologia de DNA recombinante. O gene codificador da proteína é extraído da hemolinfa, clonado em um baculovírus (vírus que ataca insetos). Depois, é replicado em células de insetos, que, por sua vez, produzem as proteínas de defesa (as chamadas proteínas recombinantes) em grande quantidade.

“A principal vantagem em produzir a proteína recombinante é que isso torna possível a extração da substância de maneira mais simples e em maior escala”, comentou Mendonça. “Antes de chegar à indústria, porém, é preciso verificar sua ação em organismos, em testes in vivo, e avaliar sua viabilidade econômica”.

As lagartas estudadas pela equipe de Mendonça estão entre as taturanas urticantes que fazem mal ao homem. Suas cerdas liberam veneno capaz de levar à morte. A escolha delas para as duas pesquisas se deveu ao acúmulo de centenas de carcaças desses insetos no Instituto Butantan, que sobram depois da retirada do veneno para a produção de soro contra queimaduras. É dessas carcaças que é retirada a hemolinfa, de onde se extrai o gene codificante das substâncias de defesa.

A família Megalopygidae engloba mais de 200 espécies, entre elas a Megalopyge lanata, chamada lagarta-do-cartucho, cuja mariposa ataca as culturas de milho no Brasil, e a Megalopyge albicollis, a lagarta-de-fogo.

Segundo Mendonça, os estudos com a Lonomia e com as lagartas da família Megalopygidae constituem uma porta para outras pesquisas de grande relevância. “O Brasil tem uma megabiodiversidade em insetos. E todos podem ter substâncias desse tipo, de ação até maior do que as encontradas até agora”, disse o pesquisador, que realizou três pós-doutorados com bolsa FAPESP, dois em Portugal e um no México.

Fonte: Agência Fapesp.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Formulação desenvolvida no IQ pode reduzir efeitos adversos de medicamentos no organismo

Você recebe uma injeção sob a pele. O líquido aplicado transforma-se em um gel, que contém nanopartículas “recheadas” com fármaco anti-inflamatório. Aos poucos, o organismo começa a receber doses do fármaco a partir do depósito formado ali. Essa será a aplicação de uma nova formulação desenvolvida em pesquisa de mestrado apresentada pela química Letícia Paifer Marques, na pós-graduação do Instituto de Química da Unicamp, sob a orientação do professor Francisco Benedito Teixeira Pessine. Trata-se da tecnologia Depot (depósito) para entrega modificada de dois fármacos empregados como anti-inflamatórios, a dexametasona e a betametasona, encapsulados em nanopartículas lipídicas sólidas. “Uma vez introduzido no organismo, o fármaco vai sendo liberado gradativamente”, afirma Pessine.

Na prática, isso pode permitir que pacientes em tratamento prolongado recebam doses menores desses anti-inflamatórios, com menor frequência, e apresentem menos efeitos adversos, como retenção de líquido pelo organismo, em aplicações de curto prazo, e até complicações mais severas já estudadas, como catarata, em decorrência de consumo frequente e prolongado desses dois medicamentos. “Alguns dos efeitos adversos ocorrem porque o medicamento é distribuído sistemicamente no organismo. Então, se a entrega for realizada no local da inflamação, os efeitos sistêmicos podem ser menores”, explica Letícia, autora da pesquisa. Por enquanto, os experimentos foram realizados em laboratório, para o desenvolvimento das nanopartículas que carregam o fármaco e da tecnologia Depot, que assegura a entrega controlada dos medicamentos. Por se tratar de algo inovador para os dois tipos de fármacos escolhidos, a dexametasona e a betametasona, o professor Pessine prepara o processo de pedido de patente dessa nova tecnologia com o apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp.

Existem outras possibilidades para a entrega controlada de medicamentos, já utilizadas pela medicina, por meio de implantes colocados no organismo de pacientes, mas isso exige a realização de procedimento cirúrgico, o que é dispensável pela técnica Depot, segundo os pesquisadores. Basta uma injeção, o “bioimplante” está colocado no doente. Por analogia, é possível comparar a entrega com sistema Depot a uma bomba sob medida, dimensionada (em sua capacidade de explosão e de efeitos) e planejada para atingir um alvo específico, com o menor resultado de danos colaterais em razão do ataque, a exemplo das estratégias modernas de emprego militar.

Nanopartícula
Para compreender melhor a novidade, é preciso saber que nanotecnologia envolve a manipulação de átomos e moléculas, em tamanhos que os cientistas chamam de “nanoescala”, ou seja, um nanômetro é a bilionésima parte do metro, o equivalente a um milhão de vezes menor que o diâmetro da cabeça de um alfinete ou 80 mil vezes menor que a espessura de um fio de cabelo. Em laboratório, Letícia produziu nanopartículas lipídicas carregadas com fármaco e um sistema de entrega do medicamento, formado por polissacarídeos que, em contato com o corpo, transformam a solução líquida no gel que será gradativamente assimilado pelo organismo.

É a temperatura do corpo que ativaria, quimicamente, a formação do depósito de anti-inflamatório sob a pele, depois da aplicação de injeção subcutânea. Os produtos usados para a fabricação das nanopartículas são biocompatíveis e biodegradáveis, destaca a química.

“Uma pessoa poderia ficar pelo menos seis dias sem receber nova aplicação do fármaco”, afirma Letícia. Nesse caso, o paciente receberia uma injeção e apresentaria uma leve saliência sob a pele, no local onde foi criado o depósito químico de medicamento. A dexametasona e a betametasona são medicamentos da classe dos corticosteroides que atuam no tratamento e prevenção de processos inflamatórios de diversas naturezas.

Na pesquisa, Letícia não alterou a estrutura química dos fármacos e trabalhou com o princípio ativo, não o medicamento que é vendido em farmácias. Desse modo, a manipulação com nanotecnologia não interferiu nas propriedades dos medicamentos, explica a autora do trabalho de mestrado, que contou com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

As nanopartículas são produzidas através da utilização de um aparelho conhecido como homogeneizador, que agita os componentes da formulação a uma velocidade de até 18 mil rotações por minuto, desta forma as nanopartículas carregadas com os fármacos estudados – um de cada vez, pois os medicamentos não foram combinados – são produzidas. O processo de preparo dura 40 minutos, mas são necessárias mais 24 horas em geladeira para estabilização.

Futuro
Desenvolver uma tecnologia Depot não é tão simples. Segundo o professor Pessine, orientador da pesquisa, os dois fármacos estudados apresentam estruturas químicas parecidas mas, mesmo assim, foram liberados em quantidades e velocidades diferentes ao longo dos ensaios in vitro, por isso a necessidade de mais estudos para cada tipo de fármaco a ser investigado com esta tecnologia.

A equipe do professor dará continuidade a outras pesquisas nessa mesma área para aplicar a nova técnica e outros fármacos. “Isso representa a possibilidade de mais conforto para os pacientes em tratamento”, avalia Pessine, ao comentar sobre o potencial da técnica.

Publicação
Dissertação: “Desenvolvimento de tecnologia Depot para entrega modificada de fármacos anti-inflamatórios encapsulados em nanopartículas lipídicas sólidas e carreadores lipídicos nanoestruturados”
Autora: Letícia Paifer Marques
Orientador: Francisco Benedito Teixeira Pessine
Unidade: Instituto de Química (IQ)
Financiamento: Capes

Fonte: Jornal da Unicamp.

domingo, 27 de outubro de 2013

Desatenção, inquietação e impulsividade viraram sinônimo de doença: transtorno de déficit de atenção e hiperatividade ou simplesmente TDAH. Há quem diga que não exista. Há quem afirme ser portador desse transtorno. O TDAH começou a ser identificado na primeira década do século XX e é um dos transtornos mais estudados em medicina. Seu diagnóstico é controverso e polêmico. Dependendo dos critérios diagnósticos adotados, da população estudada, do sexo, da faixa etária entre outros fatores, as taxas de prevalência de TDAH podem variar entre 1% a 20%. Os critérios diagnósticos mais utilizados são os da Associação Americana de Psiquiatria (DSM, atualmente em sua 5a edição) e a CID, da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Se o diagnóstico suscita debates acalorados, o tratamento do TDAH muito mais. Psiquiatras, psicólogos, educadores e pediatras nem sempre concordam com a prescrição de medicação – especialmente os psicoestimulantes à base de metilfenidato – o mais popular é a ritalina. Alguns profissionais alegam o risco de dependência e a criação de uma geração acrítica e obediente para embasar suas opiniões sobre o transtorno. Outros, a tábua de salvação. Informações sobre TDAH aparecem a toda hora na mídia. A preocupação dos pais é grande – tratar, medicar ou o que fazer? E dos profissionais também.

O ambulatório de Psiquiatria e Psicologia Médica do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp recebe centenas de crianças e adolescentes todos os meses. Entre 40% a 50% das crianças e um terço dos adolescentes atendidos no ambulatório recebem o diagnóstico de TDAH, segundo a médica psiquiatra Eloisa Helena Rubello Valler Celeri. “Talvez, existam diagnósticos apressados e uso inadequado da medicação para tratar o TDAH. Mas, por outro lado, também existem crianças que não estão sendo diagnosticadas e tratadas. Dessa forma, todo o potencial criativo e desenvolvimento da criança estão sendo prejudicados, com consequências sérias para seu desenvolvimento social e afetivo”, explica.

Entre um atendimento clínico, aula para alunos de graduação e pós-graduação e a coordenação do Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Eloisa concedeu entrevista para falar sobre critérios de diagnóstico, prescrição de medicamento, efeitos colaterais, terapias alternativas e novos campos da ciência que irão auxiliar no entendimento de uma doença inquietante e polêmica.

O que é TDAH?
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um transtorno de início precoce caracterizado por um padrão de comportamento que inclui desatenção, hiperatividade e impulsividade. As crianças, normalmente, são impulsivas, ativas, e desatentas. Quando esse padrão for suficientemente impactante e prejudicar o aprendizado da criança na escola, o convívio social e familiar, entendemos que isso pode ser um transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Como é feito o diagnóstico de TDAH?
O diagnóstico é feito a partir de uma avaliação clínica por um profissional experiente que conheça bem desenvolvimento e psicopatologia infantil. É preciso conhecer outras patologias, o histórico e as características da família onde essa criança vive, como é escola onde estuda e qual a expectativa da família em relação à criança. E isso demora. Não é um questionário de “sim ou não” ou a aplicação pura e simples dos critérios diagnósticos das classificações que irão dizer se uma criança tem ou não TDAH.

Quais são os parâmetros de classificação da doença?
Normalmente, existem crianças mais ou menos atentas, mais ou menos ativas e mais ou menos impulsivas. As classificações colocam uma linha de corte que nos ajudam a dizer aonde estaria o limite entre o normal e o patológico. Mas o julgamento é clínico, sendo de fundamental importância que o profissional tenha experiência suficiente para dizer se aquela criança necessita de algum tipo de intervenção terapêutica, medicamentosa, psicoterápica, psicopedagógica ou não.

Quais as intervenções ou tratamentos indicado no caso de TDAH?
TDAH não é igual a medicação à base de metilfenidato. Antes de prescrever o medicamento, o médico e a família devem avaliar bem os prós e os contras. Às vezes, uma orientação aos pais, uma ajuda pedagógica na escola ou terapia são suficientes para tratar a criança. O psicoestimulante – ritalina ou outros disponíveis no mercado brasileiro – é uma possibilidade, mas não necessariamente o único caminho para o tratamento.

A ritalina causa dependência ou efeitos colaterais?
Como toda medicação, pode ter efeitos colaterais. Ela pode aumentar a frequência cardíaca, causar hipertensão, dor de cabeça ou perda de peso e, eventualmente, levar a uma diminuição no crescimento. Porém, é uma medicação estudada há muito tempo e tem um perfil seguro. Em relação a causar dependência, os estudos têm demonstrado que, pelo contrário, o tratamento adequado, inclusive com psicoestimulantes, parece prevenir o uso de substâncias ilícitas.

O tratamento inibe a criatividade da criança?
Pelo contrário, o tratamento adequado e adaptado especialmente àquela criança vai possibilitar um melhor funcionamento social e escolar, favorecendo que toda sua potencialidade cognitiva e relacional possam se efetivar. Com um TDAH grave, a criança terá dificuldades para se relacionar com outras crianças e com a família; terá dificuldades em aceitar e seguir determinadas regras, podendo envolver-se em brigas, discussões, ser rejeitada por não conseguir parar quieta ou prestar atenção, ser considerada burra ou preguiçosa por não ter o desempenho escolar esperado, sofrer bullying e até ser expulsa da escola por mal comportamento. Ao ser tratada adequadamente, ela terá a possibilidade de desenvolver todo seu potencial e amadurecer de uma forma mais saudável e feliz.

O tratamento do TDAH é para a vida toda ou não?
Ele é compreendido como um transtorno do neurodesenvolvimento, portanto crônico. Parte dessas crianças, com o passar do tempo, vão encontrando formas de lidar com essas dificuldades e encontrarão o seu próprio caminho. Aquelas que não conseguem transpor essas dificuldades vão precisar de um acompanhamento e tratamento para o resto da vida.

O que pode comprometer o neurodesenvolvimento da criança e desencadear a doença?
Este é um transtorno onde aspectos genéticos e ambientais devem ser levados em consideração. Sabemos também que há uma maior prevalência de TDAH em crianças cujas mães utilizaram álcool. Geralmente existe uma somatória de fatores de risco.

O que podemos esperar da ciência para atender melhor o TDAH?
Hoje, talvez estejamos chamando de TDAH um grupo de transtornos de causas múltiplas. Vemos crianças onde predominam a hiperatividade e a impulsividade e outras crianças onde predomina a desatenção. E colocamos tudo embaixo desse imenso guarda-chuva chamado TDAH. Um melhor conhecimento do funcionamento cerebral trazido pelas pesquisas em neurociências e neuropsicologia, pesquisas sobre fatores de risco ambientais entre outras auxiliarão, talvez, a encontrar biomarcadores ou testes mais precisos que nos auxiliarão no diagnóstico e tratamento deste transtorno. Entretanto, todo avanço científico nunca será capaz de substituir uma boa clínica, centrada no indivíduo, na família e nas condições sociais. Os avanços da ciência nos ajudarão em nossa avaliação clínica, mas não a substituirá.

Fonte: Jornal da Unicamp.

sábado, 26 de outubro de 2013

Técnica desenvolvida por pesquisadores americanos e ingleses utiliza células do próprio paciente para a restauração capilar. Implante poderia ser utilizado também por mulheres com queda acentuada de cabelo e pessoas com queimaduras

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia, em Nova York, e da Universidade de Durham, na Inglaterra, desenvolveram um método de restauração capilar que induz o crescimento de cabelo utilizando células do paciente. Segundo os cientistas, a nova técnica pode aumentar significativamente a utilização do transplante de cabelo para as mulheres que sofrem com queda acentuada e que têm dificuldade em conseguir doadores, bem como para os homens nos estágios iniciais da calvície e pessoas com queimaduras. O estudo foi publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS).

- Cerca de 90% das mulheres com queda de cabelo não são candidatas a uma cirurgia de transplante pela pouca quantidade de doadores - disse Angela M. Christiano, uma das líderes do estudo, da Universidade de Columbia. - Este método oferece a possibilidade de induzir um grande número de folículos pilosos (estrutura dérmica que atua na produção de pelos) ou rejuvenescer os folículos existentes, começando com células cultivadas a partir de amostras de cabelos do paciente. Isso pode fazer com que o transplante de cabelo esteja disponível também para indivíduos com um número limitado de folículos, incluindo pessoas com marcas de alopecia (redução total ou parcial de pelos em uma determinada área), perda de cabelo decorrente de queimaduras e mulheres com queda acentuada.

Segundo Angela, pacientes com esses tipos de problemas capilares são contemplados apenas com remédios que reduzem a taxa de perda, mas normalmente não estimulam o crescimento de cabelo novo.

- As células da papila dérmica dão origem a folículos pilosos, e as noções de clonagem de folículos pilosos usando células da papila dérmica são conhecidas há 40 anos - afirma Colin Jahoda, da Universidade de Durham. - No entanto, uma vez que as células da papila dérmica são colocadas no tecido convencional, elas se transformam em células básicas da pele, perdendo a capacidade de produzir folículos pilosos. Então nós fomos confrontados com uma encruzilhada: como expandir um número suficiente de células para a regeneração do cabelo e manter as suas propriedades indutoras.

Para solucionar a questão, os pesquisadores se espelharam em experiências com roedores. Criada por Jahoda anteriormente, uma técnica capaz de retirar, clonar e transplantar as papilas de ratos de volta em sua pele foi a base da pesquisa. A principal razão para que o cabelo do roedor seja transplantado com sucesso, segundo os cientistas, é que as suas papilas dérmicas tendem a agregar-se espontaneamente no tecido (ao contrário da papila humana). As células agregadas formariam, assim, seu próprio ambiente extracelular, o que permitiria que a papila interagisse e liberasse sinais para que o tecido receptor fosse reprogramado para produzir novos folículos capilares.

- Essa técnica apontou que se nós produzíssemos papilas humanas de tal forma a incentivá-las a se agregar nos tecidos como as células dos roedores faziam espontaneamente, poderíamos criar as condições necessárias para induzir o crescimento do cabelo na pele humana - declarou Claire A. Higgins, autora principal da pesquisa.

Os pesquisadores colheram papilas dérmicas de sete doadores humanos e clonaram suas células em tecidos, sem adicionar potencializadores de crescimento. Após alguns dias, as papilas cultivadas foram transplantadas entre a derme e a epiderme da pele humana, que tinham sido enxertadas nas costas dos ratinhos . Em cinco dos sete testes, os transplantes resultaram em crescimento de cabelo novo, que durou , pelo menos, seis semanas. A análise do DNA confirmou que os novos folículos capilares eram humanos e que eram geneticamente compatíveis com os doadores.

- Esta abordagem tem o potencial de transformar o tratamento médico de perda de cabelo - ressaltou Angela. - Medicamentos de perda de cabelo atuais tendem a retardar a perda dos folículos pilosos ou potencialmente estimular o crescimento dos cabelos existentes, mas não criam novos folículos. Nem o transplante de cabelo convencional, que transfere um determinado número de pelos da parte de trás do couro cabeludo para frente. Nosso método, no entanto, possui o potencial para realmente criar novos folículos capilares utilizando as células do próprio paciente. Isto poderia expandir a utilidade da cirurgia de restauração de cabelo para as mulheres e para pacientes mais jovens. Hoje ela é muito restrita para o tratamento da calvície de padrão masculino estável.

Apesar do resultado positivo, os pesquisadores afirmam que mais testes devem ser feitos antes que o método possa ser testado em seres humanos.

- Precisamos estabelecer as origens das propriedades intrínsecas do cabelo recém-formado, tais como cinética de seu ciclo celular, cor, ângulo, posicionamento e textura - afirma Jahoda. - Nós também precisamos estabelecer o papel das células da epiderme que interagem com as papilas dérmicas, para criar novas estruturas. A equipe está otimista de que os ensaios clínicos poderiam começar em um futuro próximo. Eu também acho que este estudo é um passo importante em direção ao objetivo de criar uma pele de substituição com folículos pilosos para uso em pacientes com queimaduras, por exemplo.

Fonte: Jornal da Ciência.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Evento contará com a premiação da 18ª Ciência Viva

Neste sábado (26), será realizado o Ciência no Parque. O evento, que integra a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em Uberlândia, acontecerá às 15 horas, no Parque Municipal Gávea, que fica na Avenida dos Vinhedos, número 555, bairro Morada da Colina. A programação contará com mostra do Museu Dica (Dica), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), exposição fotográfica da SNCT-Uberlândia 2013 e apresentação cultural com o grupo Balaio de Chita.

Durante o evento, será haverá a cerimônia de premiação da 18ª Feira Ciência Viva. Tendo como tema principal “Água, molécula da vida”, a feira selecionou 41 trabalhos, sendo 33 destinados à exposição e oito que apresentaram uma solução prática e criativa ao desafio proposto: Elaborar um planejamento que reduzisse os impactos causados pela indústria sucroalcooleira nas imediações de um lago, considerando a ocupação criteriosa do solo e o emprego de técnicas de conservação ambiental.

A classificação geral da feira está disponível no site http://dica.ufu.br/cienciaviva2013/.

Mais informações podem ser obtidas com a professora Sílvia Martins, pelo telefone (34) 3230-9517.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A ferramenta institucional fica na própria página do CNPq e está disponível para navegação, consultas, leitura e pesquisa dos usuários, informa o site do MCTI

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) lançou, na tarde desta terça-feira (22), a sua nova plataforma voltada à popularização da ciência. A ferramenta institucional fica na própria página do CNPq e está disponível para navegação, consultas, leitura e pesquisa dos usuários.

A cerimônia de lançamento foi realizada no estande do CNPq, na décima edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) no Distrito Federal, que está sendo realizada no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília.

A plataforma está localizada na aba "Popularização da Ciência" no alto da página da agência de fomento. Ao ampliar a divulgação científica brasileira, a nova plataforma oferece informações bastante detalhadas e de fácil entendimento pela sociedade. Entre os itens próprios para consultas estão três grandes áreas do conhecimento científico: Exatas, da Terra e Engenharias; Biológicas, Saúde e Agrárias; e Humanas e Sociais. Um quarto item, este voltado a Inovação, completa o rol de temas prioritários selecionados pelo CNPq.

Segundo o presidente da agência, Glaucius Oliva, a reorganização do site institucional possibilita a ampliação da difusão do conhecimento adquirido pela comunidade científica nacional. "Esta grande nova plataforma é um instrumento de divulgação marcante dos resultados das pesquisas no Brasil. É muito importante dizer para a sociedade o que a ciência esta fazendo no país", ressaltou.

Temas Os temas no canto esquerdo superior da plataforma oferecem uma vasta quantidade de informações relacionadas às iniciativas conduzidas ou apoiadas pelo conselho. O primeiro tema, "Fazendo divulgação científica", remete ao conteúdo dos projetos de pesquisa cadastrados no portal, como imagens, vídeos e as publicações produzidas pelos próprios pesquisadores e enviadas para acesso aberto do público.

A interatividade também está presente neste subitem, que possibilita aos pesquisadores cadastro para que o seu projeto de pesquisa seja noticiado em uma linguagem explicativa e acessível a todos os públicos. A primeira entrevista concluída pela equipe do novo portal traz o pesquisador da área de bioquímica Leopoldo de Méis, dedicado ao esforço de tornar a ciência acessível para o público leigo.

"Prêmios", "Museus e centros de ciência", "Olimpíadas científicas", "Feiras e mostras de ciência", "Relatórios de pesquisa", Memória do CNPq" e "Programa editorial" são os demais temas com acesso aberto na área.

"Hoje temos 25 mil cientistas apoiados pelo CNPq, que enviam seus relatórios de pesquisa periodicamente para a instituição", disse Oliva. "Qualquer pesquisador pode ter temas selecionados para a produção de matérias ou explicar suas pesquisas em vídeos", explicou. "Com isso a sociedade aprende, de forma mais simples, o conteúdo das pesquisas desenvolvidas no país."

O estande do CNPq na SCNT do Distrito Federal está localizado dentro do estande do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pode ser visitado até domingo (27). Acesse o site da semana nacional e acompanhe a cobertura das atividades.

Fonte: Jornal da Ciência.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Pesquisa é a primeira a apontar função vital do sono, que limpa as toxinas acumuladas durante o dia. Insônia poderia ser agravante para doenças como Alzheimer, Parkinson e demência

Uma noite bem dormida não somente ajuda a renovar as energias e consolidar melhor a memória, como também é fundamental para o bom funcionamento do cérebro. Usando ratos, pesquisadores conseguiram provar pela primeira vez que o espaço entre as células do cérebro aumenta durante o sono, permitindo que ele elimine as toxinas acumuladas no estado acordado. O estudo foi publicada na revista americana "Science" e evidencia um novo papel para o sono na manutenção da saúde e no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como a demência, o Alzheimer e o Parkinson.

- Esse é o primeiro estudo a provar que existe um processo vital que só acontece durante o sono. Antes sabíamos que algumas funções melhoravam com o sono, como a consolidação da memória e o ajuste de forças da sinapse, por exemplo, mas agora eles comprovaram que existe algo que só acontece quando dormimos - explica a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, autora de um artigo sobre a pesquisa na revista americana.

Os motivos que levam as pessoas a dormirem e as funções do sono são um enigma para cientistas e filósofos há séculos. Financiado pelo Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame (NINDS, na sigla em inglês), o estudo foi liderado por Maiken Nedergaard, codiretora do Centro de Neuro Medicina da Universidade de Rochester, em Nova York, e apontou que o espaço intersticial (entre as células) do cérebro chegava a aumentar em 60% quando os ratos estavam dormindo ou anestesiados. Com esse aumento de espaço entre as células, os cientistas notaram que o cérebro abria um canal de escoamento denominado sistema glymphatic, por onde as toxinas eram eliminadas.

- Quando estamos acordados, as moléculas se acumulam. Algumas, inclusive, estariam ligadas ao sono. É como se o cérebro se autorregulasse. Quando temos muito acúmulo de moléculas, e assim ficamos mais lentos, com menor capacidade de raciocínio, dificuldade para encontrar palavras, entre outros sintomas, temos sono. E quando dormimos essas moléculas são eliminadas - explica Suzana.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores injetaram corante no líquido cefalorraquidiano dos ratos e deixaram que ele fluísse enquanto monitoravam suas atividades cerebrais. Quando estavam inconscientes (adormecidos ou anestesiados), o corante fluía rapidamente. Acordados, o fluxo diminuía para apenas 5% do que era escoado durante o sono.

- Ficamos surpresos com a pouco quantidade de fluxo que havia no cérebro enquanto os ratos estavam acordados - disse Nedergaard.

O espaço entre as células foi medido por eletrodos inseridos no cérebro dos animais. Segundo o estudo, a diminuição do espaço entre as células no estado acordado está ligada ao hormônio noradrenalina, que aumenta a atividade cerebral.

- A noradrenalina faz o cérebro acordar pois aumenta a atividade dos neurônios e com isso eles acabam inchando. Esse estudo abre novas perspectivas para a busca de uma droga que ajude a limpar o cérebro mesmo no estado acordado. Imagina poder ajudar pessoas que correm risco de morte ao adormecer no trabalho, como pilotos de avião, por exemplo? - analisa Suzana.

Estudos anteriores já haviam sugerido que moléculas tóxicas envolvidas em desordens neurodegenerativas se acumulavam no espaço entre as células do cérebro. Na pesquisa da Universidade de Rochester, os cientistas injetaram beta-amiloide, uma proteína associada ao Mal de Alzheimer, no cérebro dos ratinhos, medindo em quanto tempo eles conseguiam eliminá-la. A beta-amiloide desapareceu rapidamente quando os ratos estavam adormecidos.

- Já é documentado que a insônia é um dos sinais de doenças como o Parkinson e o Alzheimer, mas costumávamos pensar que seria uma consequência delas. Agora podemos começar a pensar na falta de sono como um agravante - ressalta Suzana. - Esse estudo é muito importante pois os neurocientistas sempre preferiram estudar o funcionamento das células e nunca tiveram muito interesse pelo que acontecia no espaço entre elas. O resultado vai aumentar o interesse pela área, abrindo um número enorme de possibilidades.

Fonte: Jornal da Ciência.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O resultado completo da 18ª edição da feira Ciência Viva está no site http://dica.ufu.br/cienciaviva2013/.

A premiação ocorrerá no dia 26 de outubro de 2013, no encerramento da SNCT Uberlândia, no Parque Gávea (Av. dos Vinhedos, 555 - Bairro Morada da Colina, Uberlândia - MG - ver mapa), a partir das 15 horas.

A poluição do ar já era cientificamente considerada como causa de doenças respiratórias e cardiovasculares

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a poluição do ar como cancerígena para os seres humanos, anunciou hoje (17) o Centro Internacional para Pesquisa do Câncer (Iarc, da sigla em inglês), uma agência especializada da organização.

"O ar que respiramos se tornou poluído com uma mistura de substâncias causadoras de câncer. Sabemos hoje que a poluição é, não só um risco importante para a saúde em geral, como também uma das principais causas das mortes por câncer", afirmou Kurt Straif, da Iarc, em uma conferência de imprensa em Genebra.

Os pesquisadores da Iarc concluíram que "há provas suficientes" de que "a exposição à poluição do ar provoca câncer de pulmão" e aumenta "o risco de câncer da bexiga", depois de analisarem estudos envolvendo milhares de pessoas acompanhadas durante várias décadas.

Embora a composição da poluição e os níveis de exposição variem acentuadamente entre diferentes locais, a agência afirma que esta classificação se aplica "a todas as regiões do mundo". A poluição do ar já era cientificamente considerada como causa de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Em comunicado, a agência afirma que os níveis de exposição à poluição aumentaram significativamente em algumas zonas do mundo, principalmente aquelas que se estão se industrializando rapidamente e são muito populosas.

Segundo a Iarc, dados de 2010 indicam que 223.000 mortes por câncer de pulmão foram causadas pela poluição do ar. A agência mediu a presença de poluentes específicos e misturas de químicos no ar e as conclusões apresentadas hoje se baseiam na qualidade do ar em geral.

"A nossa tarefa era avaliar o ar que todas as pessoas respiram e não focarmos em poluentes específicos", explicou Dana Loomis, da agência. "Os resultados dos estudos apontam na mesma direção: o risco de desenvolver câncer de pulmão aumenta significativamente para as pessoas expostas à poluição do ar", acrescentou.

A Iarc vai publicar as conclusões do estudo, de forma pormenorizada, na semana que vem, na revista médica britânica The Lancet.

Fonte: Jornal da Ciência.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Confira o vídeo da 18ª Ciência Viva:

O Instituto de Física da Universidade Federal de Uberlândia (Infis/UFU) promove, de 29 a 31 de outubro, a VI Semana da Física. O evento, aberto ao público em geral, objetiva divulgar a Física, popularizando os conhecimentos científicos produzidos nos centros de pesquisa. A abertura oficial da Semana acontecerá às 9 horas do dia 29, no anfiteatro do bloco X, campus Santa Mônica.

Na programação do evento, estão previstas palestras, minicursos e apresentações de trabalhos de estudantes de graduação e pós-graduação do curso de Física. Estarão presentes pesquisadores das áreas de Física, Física Médica e Ensino de Física de diversas instituições do Brasil. Dentre eles, a pesquisadora Maria do Socorro Nogueira, do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), abordará a “Avaliação da Qualidade e Requisitos de Proteção Radiológica em Mamografia”. Nessa palestra, ela irá ressaltar os resultados de um projeto de pesquisa que evidencia a falta de otimização na maioria dos sistemas mamógrafo-CR, mostrando que aproximadamente 70% dos serviços apresentaram não conformidade em itens que avaliam ruído e contraste da imagem, parâmetros que influenciam diretamente no limite de detecção e qualidade da imagem final.

Em outra palestra, a professora da Universidade de São Paulo (USP) – Campus São Carlos, Cibelle Celestino Silva, discutirá “Por que Inovar o Ensino de Física é tão Difícil? Uma Análise de Alguns Obstáculos”. Ela irá proferir sobre a inserção de História e Filosofia da Física no seu ensino, abordando obstáculos agrupados na cultura do ensino de Física, nas competências, atitudes e crenças didático-epistemológicas dos professores, no quadro institucional do ensino de Ciências e nos livros didáticos.

Enquanto isso, o professor Gastão Inácio Krein, da Universidade Estadual Paulista (Unesp-SP), falará sobre a cromodinâmica quântica (QCD), teoria fundamental das interações fortes que explica aspectos da estrutura e das interações que interagem por meio de forças fortes como próton, nêutron, entre outros. A partir da QCD, é possível entender a origem das massas dos prótons e nêutrons, seus estados excitados e as forças que os mantêm ligados no interior dos núcleos atômicos.

O professor Amir Ordacgi Caldeira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), discutirá questões básicas relacionadas aos efeitos quânticos macroscópicos, mostrando onde encontrá-los e porque estudá-los. Ele apresentará um dispositivo supercondutor micrométrico – o SQUID – que funciona como um “átomo gigante”, em que efeitos como a quantização da energia e o tunelamento quântico estão presentes. Vale ressaltar que serão discutidas as implicações da ocorrência de tais efeitos nestes sistemas e as possíveis limitações às quais estão sujeitos.

Toda a programação do evento pode ser conferida no site http://www.semana.infis.ufu.br/inicio. Mais informações podem ser obtidas com o coordenador da Semana, professor José Cândido Xavier, pelo telefone (34) 3239-4190, ramal 5929.

domingo, 20 de outubro de 2013

Ao estudar in vitro a interação entre macrófagos e uma bactéria do gênero Salmonella, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriram um mecanismo até então desconhecido do sistema imunológico para o controle de infecções.

Os resultados da pesquisa foram divulgados em agosto na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Realizada com apoio da FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, a pesquisa foi coordenada por Karina Ramalho Bortoluci, professora adjunta do Departamento de Ciências Biológicas, e inclui o trabalho de doutorado de Silvia Lucena Lage.

“Os macrófagos são sentinelas imunológicos. São as primeiras células de defesa que chegam para fazer o reconhecimento do antígeno e determinar se ele é ou não uma ameaça ao organismo. Quando os macrófagos entram em contato com moléculas presentes em bactérias patogênicas, uma série de respostas é ativada nessas células para ajudar no controle da infecção”, disse Bortoluci.

O grupo do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF), da Unifesp, estudou especificamente o que ocorre quando os macrófagos entram em contato com uma proteína chamada flagelina, existente no flagelo (órgão de locomoção) de bactérias móveis patogênicas, como as dos gêneros Salmonella e Legionella.

Segundo Bortoluci, estudos anteriores mostraram que a flagelina se liga a dois diferentes receptores presentes nos macrófagos: um conhecido como TLR5 (toll-like receptor 5), que fica na membrana da célula, e outro chamado NLRC4 (NOD-like receptor contendo domínio CARD 4), localizado no citoplasma.

“Na presença da flagelina, o receptor NLRC4 forma um complexo molecular chamado inflamassoma. Isso tem duas consequências principais: a liberação das citocinas inflamatórias Interleucina-1 (IL-1) e Interleucina-18 (IL-18) e a indução de um tipo de morte inflamatória da célula conhecida como piroptose”, disse.

Ao contrário da apoptose, que é uma morte celular fisiológica e silenciosa, a piroptose alerta o sistema imunológico de que algo está errado. “O macrófago explode e tudo que está dentro dele é jogado para fora. Algumas dessas moléculas se ligam a outros receptores do sistema imune e isso faz com que certos tipos de células de defesa, principalmente neutrófilos, migrem para o local na tentativa de controlar a infecção”, disse Bortolucci.

Mas para que a via do inflamassoma seja ativada e a piroptose aconteça, é necessária a presença de uma proteína chamada caspase-1. Ao realizar experimentos com camundongos geneticamente modificados para não expressar a caspase-1, os pesquisadores observaram, no entanto, que outro tipo de morte inflamatória de macrófagos acontecia na presença da flagelina.

“Observamos que acontecia um tipo de morte que mesclava características da apoptose e da piroptose e que também tinha como consequência a redução do número de bactérias. Isso nos levou a desconfiar da existência de um novo mecanismo de controle de infecções, iniciado pelo reconhecimento da flagelina”, contou Bortoluci.

Ao estudar a morfologia dos macrófagos em presença da flagelina, os pesquisadores verificaram que os lisossomas (organelas responsáveis por digerir partículas vindas do meio externo e renovar as estruturas celulares) pareciam se romper momentos antes da morte celular.

Para confirmar o envolvimento dos lisossomas no processo, os pesquisadores usaram substâncias capazes de inibir a ação das catepsinas (proteases mais abundantes nessas organelas) e verificaram que tanto a resposta induzida pelo inflamassoma como a induzida pelo lisossoma eram interrompidas na ausência dessas proteínas.

“Não só descobrimos a existência desse novo processo de morte inflamatória dependente da ação de lisossomas, como também verificamos que as proteases do lisossoma – principalmente a catepsina B – regulam toda a função da via do inflamassoma. Portanto, a ativação do lisossoma pela flagelina é um evento central na resposta imunológica dentro do macrófago. Mesmo quando a via clássica do inflamassoma está preservada, os macrófagos necessitam dessa via lisossomal para acionar a sua morte inflamatória”, afirmou Bortoluci.

Aplicações
Na avaliação de Bortoluci, além de ampliar o conhecimento sobre o sistema imunológico, a descoberta pode ser útil para pesquisas que visam ao desenvolvimento de novos adjuvantes – substâncias acrescentadas à composição de vacinas com o objetivo de potencializar a resposta imunológica contra o patógeno.

“Grande parte das vacinas hoje existentes são pouco imunogênicas, pois usam microrganismos mortos ou atenuados. Por esse motivo, é comum a adição de adjuvantes. Eles causam uma reação inflamatória no organismo e isso faz com que a resposta seja mais eficiente”, explicou a professora da Unifesp.

O único adjuvante aprovado para uso humano até o momento é o hidróxido de alumínio. De acordo com Bortoluci, diversas pesquisas in vitro e em animais foram feitas com a flagelina, que tem se revelado um potente adjuvante.

“Ainda não abordamos essa questão, mas é possível que parte do efeito adjuvante da flagelina seja devido à sua ação sobre os lisossomas, o que os torna potenciais alvos terapêuticos”, disse Bortoluci.

Fonte: Agência Fapesp.

sábado, 19 de outubro de 2013

Em busca de tratamentos mais eficazes contra a dependência, cientistas do National Institute on Drug Abuse (Nida/NIH), dos Estados Unidos, têm se dedicado a criar métodos para identificar e estudar pequenos grupos de neurônios relacionados com a sensação de fissura por drogas.

O grupo coordenado por Bruce Hope conta com o brasileiro Fábio Cardoso Cruz, ex-bolsista de mestrado e de pós-doutorado da FAPESP que acaba de publicar um artigo sobre o tema na revista Nature Reviews Neuroscience.

“Nossa linha de pesquisa se baseia no pressuposto de que a dependência é um comportamento de aprendizado associativo. Quando um indivíduo começa a usar uma determinada substância, seu encéfalo associa o efeito da droga com o local em que ela está sendo consumida, as pessoas em volta e a parafernália envolvida, como seringas, por exemplo. Com o uso repetido, essa associação fica cada vez mais forte, até que a simples exposição ao ambiente, às pessoas ou aos objetos já desperta no dependente a fissura pela droga”, afirmou Cruz.

Evidências da literatura científica sugerem que essa memória associativa relacionada ao uso da droga com os elementos ambientais seria armazenada em pequenos grupos de neurônios localizados em diferentes regiões do encéfalo e interligados entre si – conhecidos em inglês como neuronal ensembles.

“Quando o dependente depara com algo que o faz lembrar da droga, esses pequenos grupos neuronais são ativados simultaneamente e, dessa forma, a memória do efeito da droga no organismo vem à tona, fazendo com que o indivíduo sinta um desejo compulsivo pela droga que é capaz de controlar o comportamento e fazer com que o dependente em abstinência tenha uma recaída mesmo estando ciente de possíveis consequências negativas, como perda do emprego, da família ou problemas de saúde”, disse Cruz.

Por meio de experimentos feitos com animais, os pesquisadores do Nida mostraram que apenas 4% dos neurônios do sistema mesocorticolímbico são ativados nesses casos de recaída induzida pelo ambiente. “São vários pequenos grupos localizados em regiões do cérebro relacionadas com as sensações de prazer, como córtex pré-frontal, núcleo accumbens, hipocampo, amígdala e tálamo”, contou.

Segundo Cruz, a maioria dos trabalhos que buscam entender a neurobiologia da dependência e descobrir possíveis alterações moleculares relacionadas com comportamentos que levam à recaídaavalia todo o conjunto de neurônios presente em amostras de tecidos cerebrais em vez de focar apenas nesses pequenos grupos.

“Acreditamos que uma alteração realmente significativa pode ser mascarada por mudanças nesses outros 96% dos neurônios não relacionados com a recaída. Por isso buscamos metodologias para estudar especificamente esses 4%”, explicou.

Uma das estratégias descritas no artigo publicado na Nature Reviews Neuroscience faz uso de uma linhagem de ratos transgênicos conhecida como lacZ. Os animais são modificados para expressar a enzima β-galactosidase apenas nos neurônios ativos.

“Nós colocamos o animal em uma caixa e o ensinamos a bater em uma barra para receber cocaína. Depois de um tempo, movemos o animal para uma caixa diferente, na qual ele não recebe a droga quando bate na barra. Chega uma hora em que o animal para de bater na barra. É como se estivesse em abstinência. Mas quando o colocamos de volta na primeira caixa, ou seja, no ambiente que ele foi treinado a receber a droga, ele imediatamente volta a bater na barra à procura da droga”, contou Cruz.

Nesse momento, os pequenos grupos neuronais são ativados no rato pelos elementos do ambiente. Os pesquisadores administram então uma substância chamada Daun02, que interage com a enzima β-galactosidase e se transforma em um fármaco ativo chamado daunorubicina, que provoca a morte desses neurônios ativos.

“Esperamos cerca de dois dias para o fármaco concluir seu efeito e, quando colocamos novamente o animal no ambiente associado à administração da droga, ele não apresenta mais o mesmo comportamento de busca da substância. É como se a fissura tivesse sido apagada após a morte desse pequeno grupo de neurônios relacionado com esse comportamento de recaída”, contou Cruz.

Outra técnica descrita no artigo também faz uso de animais transgênicos capazes de expressar uma proteína fluorescente apenas nas células ativadas. “Com auxílio da citometria de fluxo, conseguimos isolar apenas essas células que ficam fluorescentes e então procuramos por possíveis alterações moleculares. Podem ser alterações estruturais, como aumento no número de espinhos dendríticos, o que aumenta a interação sináptica e deixa o neurônio mais sensível. Podem ser proteínas intracelulares que também aumentam a atividade desses neurônios”, explicou.

Uma vez identificadas essas alterações, acrescentou Cruz, elas vão se tornar alvos para o desenvolvimento de fármacos capazes de tratar de forma mais eficiente a dependência. “Não existe hoje um medicamento realmente eficaz, tanto que cerca de 70% dos usuários de cocaína sofrem recaída após um período de abstinência. No caso do álcool, o número é maior que 80%”, afirmou.

O grupo do Nida conta ainda com outros pesquisadores brasileiros, entre eles Rodrigo Molini Leão, que acabou de concluir o doutorado com Bolsa da FAPESP na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (FCFAr-Unesp) em Araraquara. Também participa o doutorando Paulo Eduardo Carneiro de Oliveira, da FCFAr-Unesp.

Fonte: Agência Fapesp.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Causada por fungo, paracoccidioidomicose é comum no país e tem potencial incapacitante  
 
Paracoccidioidomicose. O nome ainda é pouco conhecido, bem como o que ele representa. Trata-se de uma micose sistêmica muito importante nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná. Ela tem alto potencial incapacitante, quando não diagnosticada precocemente. Consta como a oitava causa de morte por doenças infecciosas em indivíduos imunocompetentes (sãos). Mas, apesar de sua magnitude, ela ainda é negligenciada, constituindo um relevante problema de saúde pública. Fala-se até que é uma “doença brasileira”, já que o país responde hoje por cerca de 80% de suas ocorrências. O restante está distribuído em outros países da América Latina.

A bióloga Maria Carolina Ferreira interessou-se pelo assunto para investigar no seu estudo de doutorado. A sua missão foi avaliar a resposta imunológica da paracoccidioidomicose. Embora exista uma estimativa de que entre oito e dez milhões de pessoas estarão infectadas pelo fungo neste ano, nem todas acabarão desenvolvendo a enfermidade, graças à paracoccidioidomicose infecção.

Já, para os indivíduos que de fato contraíram a micose, ela pode se manifestar a partir de duas formas clínicas. Em uma delas, a pessoa manifesta os sintomas muito rapidamente. Essa é a forma aguda ou juvenil e afeta indivíduos jovens de ambos os sexos. Ela é responsável por 3% a 5% dos casos da doença. Há ainda uma forma crônica e adulta, em que o indivíduo às vezes demora anos para vivenciar os primeiros sintomas. Habitualmente, aparece em homens com idade em torno de 30 anos. É mais branda, porém, crônica e deletéria.

O trabalho da bióloga desvendou como o indivíduo responde após o contato com o fungo, as diferenças nas formas de resistência e de suscetibilidade à infecção, e o que leva os indivíduos a terem respostas diferentes. Na tese, defendida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), a doutoranda descobriu que os pacientes com a forma adulta da doença têm um predomínio da resposta T-helper 17 e que os pacientes com a forma juvenil têm predomínio da resposta T-helper 2.

Muitos trabalhos em Imunologia têm mostrado que a principal explicação para essas duas manifestações tão distintas da mesma doença, causada pelo mesmo fungo, está no tipo de resposta imunológica que os indivíduos desenvolvem. Foi o que a pesquisadora apurou, mas fez ainda mais. Procurou compreender por que algumas pessoas manifestavam a doença rapidamente e outras demoravam mais.

A autora da tese percebeu que são as células dendríticas que reconhecem o fungo e que vão direcionar se a resposta será T-helper 2 (associada à suscetibilidade) ou será T-helper 17 (que confere certa resistência à infecção), que são subtipos de linfócitos T (células responsáveis pelo controle de todo o sistema imunológico). Também são elas que ajudam a identificar agentes agressores como vírus e bactérias, sendo portanto valiosas no combate às doenças.

A bióloga também verificou como as células dendríticas faziam o reconhecimento desse fungo, pois essas são as principais células, as que fazem a apresentação dos antígenos e que portanto são responsáveis por iniciar a resposta imunológica contra qualquer agente patogênico.

Conforme Maria Carolina, como na forma juvenil o que se vê é uma resposta de T-helper 2 que leva a uma suscetibilidade da doença, talvez por esse motivo o quadro seja mais grave e ocorra mais rapidamente. Também os indivíduos, nesse caso, necessitam de uma intervenção muito pontual para chegarem à cura.

Os indivíduos com a forma adulta, que tendem a ter uma resposta T-helper 17, a qual leva a uma certa resistência, possivelmente demoram alguns anos para desenvolver os sintomas clínicos da doença, por conta de uma “semirresistência”. “Mas ao mesmo tempo que essa resposta traz resistência, pode desencadear a fibrose de pulmão, uma das sequelas mais significativas”, comenta o professor Ronei Luciano Mamoni, orientador da tese.

Nesse caso, os pacientes atingem a cura, mas podem contrair insuficiência respiratória porque o tecido pulmonar foi substituído por um tecido fibroso, mais ou menos como acontece com a tuberculose. Esses pacientes poderão encontrar então algumas limitações no seu dia a dia, como trabalhar por exemplo.

A investigação foi realizada a partir da avaliação de exames de pacientes do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp no período de 2009 a 2013. O trabalho integra a linha de pesquisa “Resposta imunológica aos fungos” do Departamento de Patologia Clínica.

Alcance
Em sua forma mais grave, as leveduras do fungo afetam particularmente o sistema fagocítico mononuclear humano, chegando aos linfonodos, medula óssea, fígado e baço. Os indivíduos atingidos desenvolvem rapidamente a doença, tendo seu estado clínico agravado e submetendo-se ao tratamento hospitalizados.

Felizmente vários tratamentos medicamentosos despontam hoje como uma esperança para os portadores da enfermidade. Porém a fase inicial da terapêutica para os casos mais graves é a mais agressiva. Por isso em geral utiliza-se a anfotericina B, por exemplo, um antifúngico que demonstra um certo grau de toxicidade e que deve ter acompanhamento adequado.

Por essa razão, o medicamento deve ser mudado logo após haver uma boa resposta, sendo prescrito, em seu lugar, um novo antifúngico. A escolha mormente recai sobre um derivado azólico, como o itraconazol, o mais utilizado nos dias atuais. Mas há que se considerar ainda o seu uso com bactrim – uma combinação de sulfa com trimetropina, administrada por via oral. Normalmente, funciona bem para os dois tipos da micose.

A forma juvenil se constitui a mais complexa. Por outro lado, a forma crônica pode afetar os pulmões e mucosas. O mais comum é se observar lesão de pulmão causando fibrose e insuficiência respiratória, que às vezes pode ser grave, e lesões de mucosa oral, nasais e de pele.

“As lesões causadas pelo fungo podem ser muito extensas, e algumas vezes, devido às suas características, podem ser confundidas com câncer (ou tumores)”, alerta Ronei. Alguns pacientes chegam ao consultório com essa suspeita e, quando fazem a biópsia, descobrem que na verdade estão infectados pelo fungo. Essas lesões são capazes de alcançar quaisquer tecidos do organismo.

A doença também comumente se manifesta por meio de tosses que não cessam, dificuldade de respirar, além de secreção no pulmão, que mais adiante pode até conduzir à morte, se não for tratada. O problema é que o tratamento normalmente se prolonga por no mínimo dois anos para alcançar o status de cura.

Na forma mais juvenil, explica Ronei, as lesões podem ser confundidas com linfoma (câncer no sistema linfático), acometendo os linfonodos e, em alguns casos, a pele. Entretanto, os principais sintomas são certamente os inchaços, que acabam acometendo os linfonodos.

A paracoccidioidomicose geralmente tem entrada quando os indivíduos inalam os conídeos, uma forma reprodutiva dos fungos. Os trabalhadores que lidam em seu cotidiano com a terra ou crianças que vivem na zona rural são os alvos principais dessa doença. A forma de contrair o fungo é mediante a aspiração desses conídeos, que se instalam nos pulmões.

O diagnóstico, além de ser clínico, também é efetuado laboratorialmente. O padrão ouro para esse diagnóstico está na identificação do fungo pelo exame micológico, sendo o exame histopatológico também de grande valia, não apenas para a visualização das formas fúngicas como também para situações em que a amostra não permitiu visualizar o fungo. Além disso, as provas sorológicas são igualmente auxiliares e permitem uma avaliação da resposta do hospedeiro ao tratamento específico.

De acordo com a pesquisadora, o seu estudo colabora para compreender a resposta imunológica nas duas formas clínicas da doença. “Verificamos que essa resposta pode ser diferente sim devido a essa forma de reconhecimento inicial que as dendríticas fazem do fungo”, expõe. Isso no futuro deve propiciar que os médicos avaliem melhor o estado dos pacientes e façam um tratamento mais direcionado à resposta imune que foi identificada. Mas ela avisa: ainda há muito a ser estudado, pois esta se trata de uma pesquisa básica.

Publicação

Tese: “Avaliação da capacidade de indução de diferenciação de células TH17 por células dendríticas estimuladas com células leveduriformes de Paracoccidioides brasiliensis e mecanismos de sinalização intracelular envolvidos”
Autora: Maria Carolina Ferreira
Orientador: Ronei Luciano Mamoni
Unidade: Faculdade de Ciências Médicas (FCM)
Financiamento: Fapesp

Fonte: Jornal da Unicamp.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A cerimônia oficial de abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), em Uberlãndia, será na próxima segunda-feira (21), às 16 horas, no teatro Rondon Pacheco, com a apresentação da peça teatral “Os Saltimbancos”, interpretada pelo grupo Emcantar. Os ingressos para o teatro são gratuitos e serão distribuídos durante a XVIII feira Ciência Viva, que será realizada nesta sexta-feira (18) e sábado (19), das das 8 às 18 horas, no bloco 5R, no campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Os Saltimbancos
“Os Saltimbancos” é a história de quatro animais e suas aventuras. Inspirado no conto “Os Músicos de Bremen”, dos Irmãos Grimm, o musical traz canções que viraram clássicos e deram a origem ao disco lançado em 1977, com participação de Nara Leão, MPB-4 e Chico Buarque.

A trama se desenvolve a partir da história de um jumento que, cansado de tanto ser explorado por seu patrão, além de não pagar pelo trabalho duro, ainda o humilha, resolve fugir e ir para a cidade. No meio do caminho, encontra um cachorro perdido, que resolve seguir viagem junto com ele. Andando mais um pouco, encontram uma galinha, que também fugiu... E, para finalizar, agregou-se ao grupo uma gata, que tinha sido expulsa de casa, pois resolveu cantar com os gatos da rua. Durante a viagem, muitos são os desafios. Os animais aprendem várias lições juntos, e, ao final da história, alcançam seus sonhos e reforçam o sentimento de amizade e esperança entre si.

Na versão apresentada pelo Emcantar, sete artistas encenam, cantam, tocam e brincam a história desses animais e de seus barões nessa aventura de ser um saltimbanco.

Mais informações podem ser obtidas com a professora Sílvia Martins, pelo telefone (34) 3230-9517.
Malária, infecções respiratórias e diarreias eram as principais causas de morte no Parque Indígena do Xingu (PIX), no Mato Grosso, em 1965 – época em que a Escola Paulista de Medicina (EPM), atualmente parte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), passou a responder pela saúde dos povos indígenas que lá vivem.

Hoje, a malária está sob controle e, embora as doenças infecciosas e parasitárias ainda sejam relevantes em termos de mortalidade, são os males crônicos não transmissíveis, como hipertensão, intolerância à glicose e dislipidemia (aumento anormal da taxa de lipídios no sangue), que estão em crescimento.

Conhecendo esse panorama, pesquisadores da EPM/Unifesp examinaram e entrevistaram 179 índios Khisêdjê, moradores da área central do parque do Xingu, no Mato Grosso, entre 2010 e 2011.

A análise dos resultados mostrou uma prevalência de hipertensão arterial de 10,3% em ambos os sexos, sendo que 18,7% das mulheres e 53% dos homens apresentaram níveis de pressão arterial considerados preocupantes.

“Para valores de pressão arterial iguais ou maiores a 140/90 mmHg como indicativos da presença de hipertensão arterial, pesquisas encontraram prevalências entre 22,3% e 43,9% na população geral do Brasil”, disse Suely Godoy Agostinho Gimeno, coordenadora do estudo com os Khisêdjê e pesquisadora do Departamento de Medicina Preventiva da EPM/Unifesp e do Instituto de Saúde da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo.

O estudo com os Khisêdjê foi realizado com apoio da FAPESP e do Projeto Xingu, iniciativa da Unidade de Saúde e Ambiente do Departamento de Medicina Preventiva da EPM/Unifesp.

Os Khisêdjê ainda não estão tão hipertensos como os demais brasileiros, mas o cenário é delicado, uma vez que tal condição era inexistente ou rara nas aldeias brasileiras até décadas atrás.

Já a intolerância à glicose foi identificada em 30,5% das mulheres (6,9% do total com diabetes mellitus) e em 17% dos homens (2% do total com diabetes mellitus). E a dislipidemia (aumento anormal da taxa de lipídios no sangue) apareceu em 84,4% dos participantes dos dois sexos.

“Examinamos os Khisêdjê anteriormente, entre 1999 e 2000. Comparando os dados daquela época com os mais recentes, percebemos um aumento significativo de todas essas doenças crônicas não transmissíveis. Outras pesquisas revelam que o mesmo aumento se aplica aos demais povos indígenas do Xingu e de outras áreas do país”, disse Gimeno.

De acordo com a pesquisadora, entre os fatores que vêm transformando o panorama entre os índios estão maior proximidade com os centros urbanos e intensificação do contato com a sociedade não indígena, com a incorporação de novos hábitos e costumes; aumento do número de indivíduos que exercem atividade profissional remunerada, abandonando práticas de subsistência tradicionais como agricultura, caça e pesca; e maior acesso a produtos e bens de consumo, como alimentos industrializados, eletroeletrônicos e motor de barcos (o que dispensa a necessidade de remar).

Os resultados foram informados aos Khisêdjê, individualmente e em grupo, e a equipe de saúde da Unifesp acompanha os casos que precisam de amparo médico.

Ainda assim, o quadro preocupa os pesquisadores, uma vez que o controle das doenças requer condições nem sempre disponíveis nas aldeias, como refrigeração (no caso da insulina), controle da dose e do horário dos medicamentos, controle regular da glicemia e da pressão arterial. Segundo Gimeno, “o estímulo e a garantia da preservação dos hábitos e costumes desses povos seriam medidas preventivas de grande valia”.

Excesso de peso
A coleta de dados para traçar o perfil nutricional e metabólico dos Khisêdjê foi realizada em diferentes períodos de 2010 e 2011, quando os pesquisadores passavam de 15 a 20 dias na aldeia principal desse povo, chamada Ngojwere.

As informações levantadas incluíram perímetros de braços, cintura e quadril; peso; altura; composição corporal (água, massa magra e massa gordurosa); pressão arterial; perfil bioquímico (por exames como o de glicemia); aptidão física; condição socioeconômica; consumo de alimentos e práticas agrícolas.

Outro resultado obtido por meio dessa análise foi a prevalência de excesso de peso (de sobrepeso ou de obesidade): 36% entre as mulheres e 56,8% entre os homens.

“Contudo, observamos que, particularmente entre os homens, tal prevalência se deve a uma maior quantidade de massa muscular e não de tecido gorduroso. Esse dado sugere que, para a população em questão, os critérios de identificação do excesso de peso não são adequados, uma vez que os indivíduos são musculosos, não obesos”, disse Gimeno.

A conclusão, de acordo com a pesquisadora, é corroborada pelos testes de aptidão física. “A maioria dos valores revela força muscular nos membros inferiores, resistência muscular nos membros superiores e no abdômen, flexibilidade e capacidade cardiorrespiratória. Comparados aos não indígenas, os Khisêdjê têm perfil ativo ou muito ativo, contrariando a ideia de que um possível sedentarismo estaria associado às doenças investigadas”, disse.

Uma hipótese (não comprovada empiricamente) que poderia explicar a controvérsia é a de que, no passado, esses índios teriam sido ainda muito mais ativos do que na atualidade. E a possível redução na atividade física habitual teria, então, relação com os males crônicos.

Equipe e repercussão
Três médicos, quatro enfermeiras, cinco nutricionistas, dois educadores físicos, um sociólogo e quatro graduandos (dos cursos de Medicina e Enfermagem) participaram da pesquisa via Unifesp.

Completam a equipe uma sexta nutricionista do Instituto de Saúde da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, agentes de saúde e professores indígenas que vivem na aldeia Ngojwere e atuaram como intérpretes.

O projeto deu origem a seis apresentações em conferências internacionais e duas em congressos nacionais, três dissertações de mestrado e uma publicação de artigo na revista Cadernos de Saúde Pública. A íntegra do texto pode ser lida em http://www.scielosp.org/pdf/csp/v28n12/11.pdf.

Fonte: Agência Fapesp.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013


 A feira Ciência Viva será realizada nos próximos dias 18 e 19 de outubro, das 8 às 18 horas, no bloco 5R, no campus Santa Mônica, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Em sua 18ª edição, o evento traz o tema “Água, molécula da vida”. O objetivo é divulgar e popularizar a ciência, assim como despertar a curiosidade, a criatividade e o interesse dos estudantes pela pesquisa. Além da tradicional feira, foi proposto um desafio aos alunos dos ensinos fundamental, médio e técnico. Eles tiveram de apresentar um planejamento que reduzisse os impactos causados pela indústria sucroalcooleira nas imediações de um lago, considerando a ocupação criteriosa do solo e o emprego de técnicas de conservação ambientais.

Segundo o coordenador da Ciência Viva, professor Eduardo Kojy Takahashi, do Instituto de Física (Infis) da UFU, foram selecionados 41 trabalhos, sendo 33 destinados à exposição e 8 que responderam ao desafio.

A premiação da Ciência Viva será no dia 26, às 15 horas, no Parque Municipal da Gávea, que fica na Avenida dos Vinhedos, número 555, bairro Morada da Colina.

Ciência Viva
A Ciência Viva, realizada anualmente, faz parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Uberlândia, desde 2009. É uma realização da UFU, do Museu Diversão com Ciência e Arte (Dica/UFU) e da Prefeitura Municipal de Uberlândia (PMU). O evento conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Pró-reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis (Proex/UFU), do Centro Municipal de Estudos e Projetos Educacionais Julieta Diniz (Cemepe) e da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub).

Mais informações podem ser obtidas com o professor Eduardo Kojy Takahashi, pelos telefones (34) 3239-4190 e (34) 3230-9518, ou pelo e-mail ektakahashi@ufu.br.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Uma novidade da SNCT Uberlândia, neste ano, é a transmissão do evento ao vivo.

Para acessar a TV SNCT, clique aqui.
Losartan começará a ser testado associado à quimioterapia em pacientes com câncer de pâncreas

Um medicamento usado para controlar a pressão arterial poderia ajudar a aumentar a expectativa de vida contra o câncer. Após testes bem-sucedidos em camundongos, os médicos planejam dar losartan a pacientes com câncer do pâncreas, um dos mais preocupantes tipos de tumor, segundo um artigo da "Nature Communications".

Pesquisadores do Hospital de Massachusetts estão recrutando voluntários com câncer de pâncreas para testar a combinação da nova droga com quimioterapia. Embora o tratamento não os cure, os pesquisadores esperam que ele garanta mais meses ou anos de vida.

O losartan vem sendo usado por mais de uma década como um medicamento para controlar a pressão arterial. Ele funciona por fazer os vasos sanguíneos relaxarem ou dilatarem, de modo que eles possam carregar mais sangue, aliviando a pressão.

A equipe de Massachusetts descobriu que a droga é benéfica em camundongos com câncer de mama e pâncreas. Ela melhorou o fluxo de sangue em volta dos tumores permitindo que a quimioterapia atingisse mais precisamente o seu alvo. Os roedores que receberam o remédio sobreviveram por mais tempo.

- Este é um estudo interessante em camundongos que lança luz sobre por que drogas para hipertensão podem melhorar a eficiência da quimioterapia, mas nós ainda não sabemos se elas funcionam exatamente da mesma forma em pessoas - afirmou à BBC a pesquisadora Emma Smith, do Centro de Pesquisa de Câncer do Reino Unido.

Fonte: Jornal da Ciência.
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